Início Colunas Memórias do Leão Davi… o ‘Cara de Jegue’

Davi… o ‘Cara de Jegue’

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Se na década de 50 o Vitória teve entre seus principais atletas o ‘Jegue Alemão’, apelido pelo qual era conhecido o artilheiro Juvenal, nos anos 70, ‘Cara de Jegue’ foi o apelido encontrado para Davi, um meia-armador que apesar rudez do apelido conhecia a sutileza do jogo de futebol.

Davi Chaves nasceu em Poções-BA, no dia 18/07/1951. De origem pobre como tantos outros jogadores, descobriu o talento para o esporte jogando bola pela Seleção de Ipiaú. Despontou no Conquista e logo estava defendendo as cores do Jequié. Foi ali que o Vitória o encontrou aos 22 anos em um partida que saiu vencendor por 3 a 0 diante do Jequié e o levou no ano de 1973 para disputar o Campeonato Brasileiro.

O goleiro Aguinaldo (esquerda) e Davi ‘Cara de Jegue’ (direita) em dia de treino em 1973. (Foto: Acervo de Paulo Leandro)

Sua contratação porém pegou de surpresa o então técnico Paulinho de Almeida, que não tinha o atleta nos planos de seu elenco. Foi no Rubro-Negro que ganhou o apelido de Cara Jegue, dado pelos companheiros de clube. Ao lado de um panteão de craques como Mário Sérgio, Osni e André, Davi conquistou seu espaço. Paulinho deixou o comando técnico do Leão e deu lugar a Castilho que resolveu usar a jovem promessa como titular.

Mesmo já tendo feito um amistoso contra o Rio Branco-ES, foi contra o Santos, pela 2° rodada do Brasileiro que ele estreou de fato. Castilho lhe orientou a marcar Pelé e assim o fez sem ter pena do Rei, que diz-se, chegou a falar para um repórter baiano que o que o Vitória tinha de bom era “aquele crioulinho que joga de cabeça em pé e sempre de primeira, não dando tempo à defesa adversária de se arrumar”. A posição de meia-armador passou a ser feita por Davi dali em diante. Seu primeiro gol aconteceu em um 3 a 3 com o Goiás na Fonte Nova, com um petardo de fora da área.

Davi entre os companheiros Mário Sérgio e Gibira ouvindo a instruções do técnico Castilho. (Foto: Acervo desconhecido)

Porém, suas batalhas contra os Golias aconteceram no Brasileiro de 1974. O Vitória desafiou gigantes do futebol brasileiro e logrou grandes êxitos, chegando próximo de uma classificação para fase final que não aconteceu por conta da arbitragem em empate diante do Vasco. Nesta campanha, o meia marcou seis gols com a camisa vermelha e preta.

A saída de Davi aconteceu em 1975, em troca com o Guarani pelo atacante Washington. No time paulista, ele também influenciou a vinda do zagueiro Joãozinho, dizendo que no clube ele iria aprender bastante. De fato, o Vitória foi uma escola para o jovem meia.


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