Início Colunas Memórias do Leão De Vecchi e o primeiro ‘gol de goleiro’ do futebol baiano

De Vecchi e o primeiro ‘gol de goleiro’ do futebol baiano

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Nos idos dos anos 20, o Vitória e todos os outros clubes da Cidade da Bahia jogavam suas partidas do Campeonato Baiano no extinto Campo da Graça. Foi naquele gramado, em 1926, que o Leão conquistou seu primeiro título desde que retornara ao futebol no início da década, o Torneio Início. Também foi no velho estádio, que o clube rubro-negro aplicou uma goleada que selou o primeiro gol marcado por um goleiro no futebol local.

Oswaldo de Almeida De-Vecchi nasceu em 03 de novembro de 1908. Não se sabe ao certo se seu nascimento aconteceu em Salvador ou na Ilha de Itaparica. Em uma época de futebol extremamente amadorista, De Vecchi foi um dos principais goleiros a fazer seu nome. Chegou ao Vitória em meados de 1924, com cerca de dezesseis anos e logo destacou-se.

Ocorreu que em 1926, em um jogo do Campeonato Baiano entre o Vitória e o Yankee Foot-ball Club, no dia 18 de julho, o Leão foi à forra e venceu com dois gols de Nevercínio, outros dois de Mila, um de Plínio, um de Péricles e um de… De Vecchi. Era ali a primeira vez que um atleta oriundo do gol balançava as redes no futebol do estado.

De Vecchi em foto de 1935, destaque em um jornal baiano como. (Foto: Biblioteca Nacional)

Com o time já encaminhado para vencer, De Vecchi quis bater o pênalti que sacramentaria o último tento da goleada. O árbitro da partida, Anísio Silva, determinou que o goleiro só poderia efetuar a cobrança caso trocasse de posição com outro jogador. Próximo do fim do confronto, De Vecchi assumiu uma vaga na linha e converteu a penalidade que deu ao Vitória a vitória por 7 a 1 sob o Yankee, que marcou seu gol de honra com Possolo.

Apesar do feito, o campeão baiano naquele ano foi o Botafogo Sport Club. O Vitória terminaria o campeonato na terceira colocação. De Vecchi permaneceu no Vitória até 1929. Em seguida, jogou por Bahiano de Tênis e pelo Bahia, retornando ao clube que o revelou em 1932. Nesta segunda passagem, defendeu o Leão em amistoso contra a Seleção Brasileira, em jogo que teve a polêmica arbitragem do mesmo Anísio Silva que quase o impedira de bater o pênalti anos antes. Deixou de vez o Leão em 1937 e o futebol em 1939 quando já estava no Galícia.


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