Início Colunas Poupem os micos, o animal é outro!

Poupem os micos, o animal é outro!

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Foto: Tiago Caldas/Arena Rubro-Negra

Investimento, para quem é empresário, é algo estudado, pensado, analisado e focado. Nunca vi ninguém do ramo atirar sem saber onde estava mirando, até conhecer e lembrar do Esporte Clube Vitória.

Vamos aos fatos. Garanto que eles não são complicados de entender e muito menos de se inconformar.

Há dois anos um verdadeiro negócio da China: a aquisição de um atacante de idade média, que nunca jogou bem em grandes times, ex-rival e que estava esquecido em seu clube atual. Se fomos pensar detalhadamente, não era um bom negócio. Mas vamos dar nomes aos bois: quem descartaria a contratação de Kieza em 2016? Boa parte da torcida, até aquela que o xingava de todos os nomes, aprovou a vinda do K9 para o Barradão. Naquela época um valor em dinheiro e dois grandes valores da base foram envolvidos. Aí o cheiro de coliformes fecais começava a subir.

Pois então, dois anos se passaram e o resultado veio, aliás, não veio. O atacante contratado a preço alto foi embora sem agradar e as duas promessas agora voam outros voos fora da Toca.

A peso de ouro: mais de R$ 10 milhões gastos em K9

Se fomos colocar no papel, o Vitória gastou mais de R$ 10 milhões só em Kieza (entre a compra e o pagamento de salários) e deixou de ganhar bons frutos com os jovens Café, que acertou sua rescisão há pouco tempo, e Geovanne, um dos grandes nomes daquele time que foi campeão da Copa do Brasil Sub-17 em 2015. Falou-se em mico, mas eu já citaria outro animal nesta história.

Sem “mimimi”, todo mundo queria o atacante, mas quando se envolveu grandes valores, sejam eles em cifras ou em pessoal, a coisa mudou na cabeça de muita gente.

A antiga gestão, que por muitas vezes parecia mergulhar em dinheiro e em altos salários literalmente dados a alguns atletas que pouco renderam resolveu imitar seus antecessores. Há alguns dias o meia Yan foi oficializado como jogador do Palmeiras em definitivo, e pasmem, saiu pela bagatela de R$ 1 milhão. Herança maldita e investimento jogado no lixo. Mais um erro de cálculo. Mais uma esperança de bons frutos estragado por falta de cuidado. Inacreditável.

Yan saiu emprestado ao Palmeiras em 2017

É inaceitável saber que o clube que tanto gastamos paciência não está nem aí para grandes promessas e fontes de renda futura. Se pensa apenas no hoje, no agora, e o próximo que verdadeiramente “se lenhe”. Foi assim com Yan, com Geovanne e com Café, e eu espero que pare por aí.

A Copa São Paulo revelou outros bons atletas, grandes valores que podem sim trazer frutos dentro e fora de campo ao Leão. E em uma semana que perdemos nossas principais referências atualmente por valores até justos (David e Tréllez), o sentimento que fica é que agora poderíamos ter essas joias aproveitadas no time que falta criatividade, pelo menos por enquanto. Ou será que um Yan da vida não seria útil hoje?

Por mais que eles não jogassem, que saíssem dando retorno financeiro ao clube que os formou e não de graça ou por míseros trocados. Haja paciência e raciocínio para tentar entender no que nossos dirigentes antecessores pensavam.

Se mirou muito no alvo, mas foi esquecido que a bala era muito curta para atingir o objetivo, leia-se alvo, e nos foi tirada a possibilidade de sonhar um pouco mais alto nos próximos anos, seja pela venda desses atletas citados ou pelo alto gasto de folha salarial oferecida a jogadores pouco produtivos e que arrombaram os cofres do Esporte Clube Vitória.

Pois bem, meus amigos. Dizem que os primatas são primos da raça humana. Mas os poupem. Esses tiros errados não são coisas de mico, mas sim de outro animal que é conhecido e taxado por não ter inteligência.


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