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Leoas e sereias: o futebol feminino é o bicho!

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Foto: Maurícia da Mata / ECV

Estreando no Arena!

Em pleno clima de Copa América + Copa do Mundo Feminina, recebi um convite que ao mesmo tempo era um desafio: assinar uma coluna sobre o futebol feminino para este querido e respeitado site.

Aliás, desafio em dose dupla, pois admito que só comecei a me interessar pelo assunto há pouco mais de 1 ano, com muita ajuda minha xará e amiga Juliana Lisboa, e porque nesse curto período já tinha percebido que falar sobre futebol feminino é quase uma aventura devido ao pouco apoio e visibilidade que o esporte tem no país.

Falando do Vitória, que é nosso time amado, mesmo no olho do furacão, o desafio ganha contornos de drama, já que além das declarações recentes que nos fazem crer em falta de apoio da diretoria ainda temos uma crise profunda que reduz investimento em todas as modalidades apoiadas pelo clube.

Ainda assim, o objetivo da conversa sobre a coluna era não somente apoiar o futebol feminino do Esporte Clube Vitória, como também conversar de uma forma mais ampla sobre o tema.

Como nosso próprio hino fala (e aqui perdoem dizer que este é meu favorito e oficial): “somos rubros negros, não temos temor”. Não só aceitei o desafio como convido a todos e todas a desbravar junto comigo este território. Errando e acertando, mas com um único pensamento: se permitir quebrar barreiras e preconceitos sobre o futebol feminino.

Como incentivo fica meu questionamento: é assim tão ruim defender que alguém queira viver do esporte independentemente de gênero?

Futebol feminino e seu valor comprovado

A Copa do Mundo Feminina garantiu uma maior visibilidade no país. Pela primeira vez, a competição foi transmitida ao vivo pela Globo. Além disso, foi destaque recorrente da programação, procurando alavancar a audiência e aumentar a familiaridade com as atletas e suas histórias. Deu certo.

Nesta semana, A FIFA anunciou que a maior audiência da competição foi registrada em terras tupiniquins durante a final: foram 19,9 milhões de brasileiros plugados na televisão (sem contar os dados da Band, que também transmitiu o duelo) contra 15,2 milhões de norte americanos que viram o jogo pela Fox e Telemundo.

Imaginem o tamanho do potencial não aproveitado pela falta de apoio!

Leoas x Sereias

Depois de quase 2 meses de pausa, o Vitória voltaria a campo no dia 10 de julho pela 10° rodada do Brasileirão Feminino A1, a primeira divisão nacional.

Antes de falar sobre a partida em si, um breve resumo da participação rubro-negra na competição. O Vitória retorna à elite do futebol feminino em 2019, após um período de aprendizado em que disputou em gangorra as séries A1 (2017, com um convite da CBF pela conquista do estadual de 2016) e A2 (2018). Ainda vamos falar muito sobre a trajetória rubro-negra até aqui.

Do outro lado o Santos e suas Sereias da Vila, time tradicional na modalidade e uma referência no país. Buscando a liderança da competição e comandadas pela técnica Emily Lima (sim, a mesma Emily que foi demitida da Seleção para o contestado regresso de Vadão, cujo nome que provavelmente você ouviu e leu muito sobre nesse último mês, mas que também vamos abordar em um segundo momento – viu como tem assunto pra render sobre as meninas?), as adversárias são uma das favoritas ao título.

Promessa de duelo complicado para as Leoas.

Sobre Vitória 1×3 Santos

O Vitória abriu o placar cedo, logo aos 4 minutos, com Roqueline em cobrança de pênalti. Após o gol, o time adotou uma postura inicialmente fechada mas que se tornou uma verdadeira retranca até o final da primeira etapa.

Inicialmente com dificuldade em criar, especialmente pelo meio, o que deixava Verena isolada na frente, o time muitas vezes acabou por “se livrar” da bola e constantemente devolvendo no pé do Santos. As Sereias da Vila, por sua vez, não souberam aproveitar a posse de bola e esbarraram na finalização. O 1° tempo foi, em sua maioria, um jogo de ataque sem eficiência contra defesa que se limitava a tirar a bola da área.

Na segunda etapa, as Leoas mudaram a postura, principalmente em relação à lateral esquerda, local que concentrou boa parte do ataque santista na primeira etapa. Aos 5 minutos a partida já contava com uma bola na trave de Raquel, além de uma Verena mais acionada e com maior movimentação. Mas como o futebol muitas vezes é injusto, logo aos 9 minutos o Santos empata com Glaucia, também de pênalti.

A partida seguiu movimentada e aos 23 minutos do segundo tempo, Monique, do Santos, tomou o segundo amarelo e foi expulsa. Cenário que, em tese, seria ideal para as meninas do Vitória. Porém aos 29 minutos, em lance infeliz e raro, a goleira Maryana falhou em uma tentativa de defesa em dois tempos e o Santos virou a partida com Ketlen.

As Leoas continuaram buscando o empate, que quase veio com Verena em uma bela jogada aos 44 minutos, porém já nos acréscimos as Sereias ampliaram em uma cobrança de falta na qual Maria Dias finalizou para a rede. Placar final Vitória 1×3 Santos.

Impressões e lições

Quando se lançaram ao jogo as meninas se mostraram competitivas contra o Santos das sereias. Do outro lado, porém, a técnica e o controle psicológico foram decisivos na partida.

A impressão deixada pelas rubro-negras é a de que o time precisa de um maior poder técnico e criativo que faça a ligação com um ataque que já provou que tem faro de gol com Verena (oi Vadão, tudo bem?) e que conta também com Ronaldinha e Roqueline, que fizeram uma bela apresentação em Praia do Forte.

O técnico Lucas Grillo tem feito um bom trabalho com as meninas, que teve um novo desafio neste sábado (13/7) contra a Ponte Preta em São Paulo. As Leoas, depois do encerramento da décima rodada, ocupam a 9° posição na tabela, temporariamente fora da zona de classificação para a próxima fase da competição. Os jogos têm sido transmitidos pelo MyCujoo e fica aqui o meu convite: vamos prestigiar mais as nossas meninas?


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