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Reta final do Feminino A1: balanço, aprendizado e expectativas

Com a primeira fase se aproximando do fim, como podemos avaliar o caminho das Leoas até aqui? O que podemos esperar do futuro para o futebol feminino do Vitória?

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Maurícia da Matta/ECV

Essa semana estamos de volta com o foco em nossas Leoas e fazendo um balanço desse campeonato brasileiro na semana que antecede a última e decisiva rodada desta primeira fase. Vamos conversar sobre o caminho que nosso time percorreu até a competição deste ano, sobre a própria série A1, um resumo sobre nossa participação na edição 2019, sobre a última partida e sobre o futuro. Vem comigo?

Rafael Ribeiro/CBF

O BRASILEIRO FEMININO

A primeira edição ocorreu em 1983 com o nome de Taça Brasil, quando o futebol feminino foi regulamentado (vale relembrar que até 1979 ele era proibido) e sendo disputada até o ano de 2001 initerruptamente. Com uma pausa em 2002 e mais uma edição em 2003, a Taça Brasil é extinta e retorna apenas em 2007 já como Copa do Brasil, sendo esta disputada até 2016 mas em paralelo ao Brasileiro a partir de 2013.

O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino teve início em 2013 através de uma parceria entre a CBF e Caixa Econômica, e desta edição participaram os 20 melhores clubes de acordo com o próprio ranking da CBF. O representante baiano da edição (e líder do ranking) foi o São Francisco e o campeonato ficou com as paulistas do Centro Olímpico, tendo como vice-campeão o também paulista São José.

De lá pra cá as 5 edições seguintes foram bem distribuídas e ninguém ostentou um bi campeonato. Em ordem cronológica as equipes vencedoras foram: Ferroviária, Rio Preto, Flamengo, Santos e Corinthians. Predominância total das paulistas que não é ao acaso e sim produto de uma federação que tem capital e investe no futebol feminino.

Em 2017 um passo importante para o fortalecimento do futebol feminino foi dado com a criação de uma série A2 (o equivalente à série B masculina). Para esta primeira edição foram convidados os 16 melhores times pelo ranking da CBF que não estivessem disputando a série A1.

Voltando à série A1 e para o ano de 2019: a atual edição possui 16 times que jogam entre si em jogo único, sendo os 8 melhores classificados para uma 2ª fase em jogos de ida e volta. A CBF fornece passagem aérea para a delegação dos times (25 pessoas), assim como alimentação e hospedagem – embora com diversos problemas como já falamos a coluna anterior. Além desta ajuda cada time mandante tem um auxílio de R$10.000,00 e cada visitante R$5.000,00 (guarde esses valores que eles voltam mais a frente).

A CAMINHADA RUBRO NEGRA

Acredito que todos conheçam a música “A Estrada”, de Cidade Negra. Se não associou basta lembrar do verso “você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui”. A trajetória do futebol feminino no Vitória começa no núcleo de esportes olímpicos, de forma ainda amadora. Em 2016 – e até hoje – um nome foi determinante para que o cenário comece a mudar: Many Gleize. Ela assume o futebol feminino, que participa do campeonato baiano e se sagra campeão desta edição – as jogadoras ainda não eram contratadas pelo clube, o uniforme e todo o enxoval eram sobras do masculino, tudo de maneira muito informal. Ao final de 2017, após um convite para a série A1 da CBF, ficou claro que novas mudanças eram necessárias: a equipe foi rebaixada sem vencer uma única partida. Many então, como uma verdadeira leoa, conseguiu importantes mudanças: carteira assinada, comissão exclusiva, enxoval próprio, vestiário. O resultado? Mais um título baiano e o acesso à série A1 – estive tanto no jogo da final do baiano quanto no 1º jogo da final do A2 e digo sem hesitar que as meninas foram uma das poucas felicidades em meio a um ano difícil como 2018.

E 2019?

Então aqui chegamos a 2019, ano no qual o Vitória tinha apenas uma meta inicial: permanecer na elite e evitar mais um efeito gangorra como em 2017. O início não foi dos melhores e os primeiros 3 pontos só vieram na 5ª rodada, contra o Sport. A partir daí foram 2 vitórias e 2 empates, até o jogo contra o Santos no retorno da pausa para a Copa e quando começamos nossa coluna (se não leu, volte umas casas e dá essa moral).

Sob o comando de Lucas Grillo (que chegou no 2º semestre de 2017), o time pareceu se encontrar e conseguir uma sequência sólida para espantar a turbulência inicial e qualquer receio que o filme de 2017 fosse acontecer novamente. Com boas jogadoras e destacando a goleira Maryana e a atacante Verena (se você não recebeu o vídeo do “Ensina Verena” esse ano, estava vivendo em outro planeta) fez uma boa campanha e a permanência para 2020 já está garantida. Ou seja: meta inicial alcançada. Mas é possível sonhar mais alto? Sim!

Matematicamente as Leoas ainda estão vivas na briga pela última vaga no G8. A pedreira é duríssima: encarar o Corinthians em pleno Parque São Jorge precisando pontuar até mesmo com um empate e contando que o São José seja derrotado pelo Santos – e aqui digo que não seria improvável pela extrema qualidade das sereias da Vila, nós mesmas vimos que um cochilo pode ser fatal contra este time. Mas ser torcedor do Vitória é não jogar toalha jamais, então PRA CIMA DELAS! Jogo para ser inteligente, saber ler o desenrolar da partida e tentar trazer esse pontinho – deixa o Santos e o São José e vamos fazer o nosso antes de tudo. Domingo, às 14h, vamos torcer pelas meninas e com fé em Deus e no MyCujoo, TV CBF, Band ou Twitter, essa torcida poderá ser o mais ao vivo possível.

VITÓRIA X SÃO JOSÉ

As equipes se enfrentaram no último domingo, 28/07, no CT de Praia do Forte em partida válida pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro. Foi um jogo extremamente equilibrado e até esperado considerando que as duas equipes estão separadas por apenas 1 ponto. Verena estava fortemente marcada por 2 jogadoras do São José e encontrou pouco espaço, sem conseguir finalizar nas poucas chances. Roqueline criou boas jogadas pelas pontas porém o 1º tempo foi marcado por muitas faltas e uma bola na trave de Ronaldinha. No 2º tempo as leoas continuaram buscando o gol e tiveram pelo menos mais duas boas chances de abrir o marcador, porém a trave impediu um deles e na outra grande chance finalizamos para fora. O rubro-negro criou as melhores chances mas pecava no último passe e em uma finalização mais certeira. Falando em finalizações foram 7 baianas contra 5 das paulistas. No fim um 0x0 amargo pelas chances criadas e pela oportunidade de chegar para o confronto contra o Corinthians mais confiantes e em uma situação levemente mais favorável. Mas como já disse, deixe sua toalha no ombro porque ainda temos 90 minutos para lutar pela última vaga.

O Vitória veio a campo com Maryana, Roqueline, Ronaldinha, Raquel (Gadú), Bruna (Rafaela), Faby, Rute, Isabela, Bárbara. Verena (Evelyn) e Tay.

Juliana Lisboa / Divulgação

O FUTURO DAS LEOAS

Acredito que os próximos capítulos estão intimamente ligados ao futebol masculino. Antes de qualquer coisa queria ressaltar que por motivos ÓBVIOS torço para que o time masculino embale e que um acesso aconteça, mas sou uma pessoa racional por natureza e aqui não seria diferente. Gostaria de acreditar que o projeto será mantido independente do que aconteça, inclusive a nossa categoria de base sub-18 que brilhou nessa 1ª fase do Brasileiro, mas é preciso analisar as possibilidades.

No cenário otimista há um retorno do masculino para a série A e o feminino segue sua vida. No que considero realista ocorre a permanência e como a partir de 2020 os times da série B também precisarão manter um time feminino como contrapartida ao Profut, o time se mantém. Em um cenário (extremamente) pessimista, em caso de queda para a série C a situação financeira ficaria ainda pior e creio que manter o projeto seria muito complicado. Mais uma vez é questão de pensar de forma racional, sabemos que apesar de um momento melhor no “pós Copa” temos um longo caminho a percorrer no masculino.

Hoje em dia as Leoas treinam no Barradão e têm acesso a toda a estrutura do clube, como vestiário, nutrição e médicos. A escolha por Praia do Forte segue a linha de uma eventual ida do masculino para a Arena Fonte Nova: é uma vantagem financeira. Com a parceria para uso do CT de Praia do Forte sem custos, aqueles R$ 10.000,00 que citei lá no início acabam ficando como um investimento no próprio futebol feminino. Se no masculino os números não são favoráveis a permanência no Barradão, no feminino a situação é ainda mais complicada mesmo comparando as campanhas e a série em que cada um se encontre. Mas é de passo em passo que se chega ao destino final.

Em outubro temos o Campeonato Baiano Feminino no qual vamos buscar o bi-campeonato e nosso 3º título, mas antes disso é vestir o manto sagrado, preparar o petisco e a gelada e vamos acompanhar o fim da primeira fase do Brasileiro A1. Espero que o nosso até breve seja para comentar o pós jogo da segunda fase do Brasileiro!


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