A passagem de Jair Ventura, independentemente do resultado final, será um marco na história recente do Vitória. Ela desafia convicções de parte da torcida sobre o que é — ou deveria ser — o time: como explicar um desempenho de 78% em casa e apenas 25% fora, considerando as temporadas de 2025 e 2026?
O Vitória de Jair Ventura é um autêntico “ame ou deixe” do século 21. Em 33 jogos, o treinador empatou apenas cinco vezes, e a maioria das vitórias veio no Barradão. É justamente esse desempenho como mandante que sustenta a divisão entre os pró-Jair e os contra-Jair. A atuação contra o São Paulo fez a balança pender para o lado da defesa do treinador — mas até quando?
Diante do São Paulo, Jair encontrou uma solução para a ponta esquerda a partir de um ajuste na entrada da área. Como? Caíque Gonçalves. O camisa 5, antes esquecido, virou titular. O Vitória ganhou consistência defensiva, mas perdeu capacidade de criação. Quando precisa atacar, Jair costuma montar um quadrado com dois volantes (Baralhas e Martinez) e dois meias (Matheuzinho e Tarzía/Cantalapiedra). Sem um ponta esquerda de origem, Baralhas passou a ocupar mais funções de construção, e o time teve dificuldade para criar com a bola.
Como é um time de pouca posse — teve mais posse que o adversário apenas uma vez no Brasileiro —, o Vitória decide seus jogos em bola parada, transição rápida e bloco baixo. A fórmula que funcionou em 2025 segue gerando resultados em 2026, mas continua sendo rejeitada por parte dos rubro-negros.
A pergunta que fica é simples: qual Vitória você quer? O Vitória seguro em casa, com quatro vitórias sem sofrer gols, dominante no espaço mesmo sem a bola? Ou o Vitória que tenta controlar a posse — algo que, até aqui, Jair Ventura nunca entregou?

