O Vitória fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 8,63 milhões. Os números aparecem nos balancetes dos dois primeiros trimestres, divulgados juntos pelo clube.
De janeiro a junho, foram R$ 137,31 milhões em receitas operacionais. No mesmo período, os custos chegaram a R$ 132,11 milhões e as despesas operacionais somaram R$ 13,83 milhões.
O resultado melhorou ao longo do semestre. O déficit, que foi de R$ 8,09 milhões nos três primeiros meses, caiu para R$ 520 mil entre abril e junho. Isso aconteceu porque as receitas cresceram mais que os custos.
No primeiro trimestre, o Vitória arrecadou R$ 60,76 milhões. No segundo, esse valor subiu para R$ 76,56 milhões, um avanço de 26%. Os custos operacionais também cresceram, mas em ritmo menor: passaram de R$ 63,34 milhões para R$ 68,78 milhões, alta de 8,6%.
O peso maior veio das despesas operacionais, que saltaram de R$ 5,52 milhões para R$ 8,30 milhões. A despesa tributária explica boa parte dessa diferença: saiu de R$ 178 mil no primeiro trimestre para R$ 3,55 milhões no segundo.
Direito de imagem é a principal receita
O direito de imagem foi a maior fonte de receita do Vitória no primeiro semestre, com R$ 62,92 milhões. Depois aparecem os patrocínios, com R$ 20,90 milhões; o Sou Mais Vitória, com R$ 17,81 milhões; e as transações com atletas, que renderam R$ 16,91 milhões.
O clube ainda registrou R$ 10,67 milhões em direitos de arena, R$ 4,93 milhões em bilheteria e R$ 1,22 milhão em premiações.
Do outro lado, o futebol profissional concentrou a maior parte dos gastos. Foram R$ 116,08 milhões no semestre, o equivalente a aproximadamente 88% dos custos operacionais do clube.
Desse total, R$ 39,07 milhões foram destinados aos salários dos jogadores profissionais. Outros R$ 60,19 milhões aparecem como despesas diretas do futebol.
Passivo cresce R$ 90 milhões
Mesmo com a melhora do resultado durante o semestre, o passivo do Vitória aumentou. O valor saiu de R$ 407,71 milhões, no fim de 2025, para R$ 498,11 milhões em junho de 2026.
Foi um crescimento de R$ 90,40 milhões em seis meses, ou 22,2%.
Isso não significa, porém, que o Vitória tenha tomado R$ 90 milhões em empréstimos. Na realidade, empréstimos e parcelamentos diminuíram. Somados, eles caíram de aproximadamente R$ 51,52 milhões para R$ 36,74 milhões — uma redução de R$ 14,78 milhões.
O passivo cresceu por outros motivos. O principal deles foi a antecipação de receitas. Também aumentaram as obrigações com contratações de atletas, tributos, encargos sociais e fornecedores.
Vitória antecipa R$ 44 milhões em receitas
As receitas antecipadas e diferidas passaram de aproximadamente R$ 119,40 milhões para R$ 163,97 milhões. Na prática, o Vitória antecipou mais R$ 44,58 milhões ao longo do semestre.
Esse dinheiro não é empréstimo. São valores que o clube recebe agora, mas que pertencem contabilmente a períodos futuros. Enquanto o serviço previsto no contrato não é realizado, o montante fica registrado como uma obrigação no passivo.
É uma forma de reforçar o caixa no presente, mas que tem consequência: parte das receitas dos próximos períodos já foi utilizada.
Os documentos não mostram para onde foi destinado todo o dinheiro antecipado. Por isso, não é possível afirmar que esses R$ 44,58 milhões foram usados diretamente para pagar empréstimos. O que os números mostram é que, durante o mesmo semestre, o Vitória reduziu empréstimos e parcelamentos e ampliou a utilização de receitas futuras.
Investimento no elenco deixa contas a pagar
Outro movimento importante aconteceu na montagem do elenco. As contas a pagar por negociações de atletas saíram de aproximadamente R$ 7,40 milhões para R$ 29,94 milhões — aumento superior a R$ 22 milhões.
Ao mesmo tempo, o valor bruto contabilizado dos atletas profissionais passou de R$ 41,85 milhões para R$ 80,88 milhões. Após as amortizações, o intangível de atletas fechou junho avaliado em R$ 51,55 milhões.
Os números indicam que o Vitória aumentou o investimento no elenco, mas deixou uma parte relevante dessas contratações para pagamento nos próximos períodos.
Também houve crescimento nas obrigações tributárias, que passaram de R$ 59,02 milhões para R$ 74,64 milhões.
Somadas, as obrigações sociais e os encargos com férias e 13º salário chegaram a R$ 52,05 milhões. No fim de 2025, eram aproximadamente R$ 37,50 milhões.
Já os compromissos com fornecedores e prestadores de serviços terminaram junho próximos de R$ 29,90 milhões.
Maior pressão está no curto prazo
O ponto que exige mais atenção é o crescimento das obrigações de curto prazo.
O passivo circulante do Vitória subiu de R$ 185,60 milhões para R$ 294,50 milhões em apenas seis meses. O aumento foi de R$ 108,90 milhões, o equivalente a 58,7%.
O ativo circulante também cresceu, passando de R$ 32,06 milhões para R$ 90,85 milhões. Ainda assim, o aumento não foi suficiente para acompanhar o avanço das obrigações.
Com isso, a diferença entre os recursos de curto prazo e as contas a pagar no mesmo horizonte ficou negativa em R$ 203,65 milhões. No encerramento de 2025, esse saldo negativo era de R$ 153,54 milhões.
O Vitória tinha R$ 1,07 milhão disponível entre caixa, bancos e aplicações financeiras ao final de junho. A maior parte do ativo circulante estava em contas a receber e despesas pagas antecipadamente, valores que não estavam integralmente disponíveis no caixa naquele momento.
Qual é o panorama?
O Vitória terminou 2025 com déficit de R$ 25,42 milhões. No primeiro semestre de 2026, o resultado negativo foi de R$ 8,63 milhões. A comparação precisa ser feita com cuidado porque um número corresponde a 12 meses e o outro, a apenas seis.
Ainda assim, os balancetes mostram que o resultado melhorou durante o primeiro semestre. O clube aumentou as receitas, reduziu o déficit no segundo trimestre e diminuiu empréstimos e parcelamentos.
Ao mesmo tempo, investiu mais no elenco, antecipou R$ 44,58 milhões em receitas e acumulou novas obrigações com atletas, tributos e encargos sociais.
Em resumo, o Vitória conseguiu diminuir o peso dos empréstimos, mas passou a depender mais de receitas futuras e aumentou consideravelmente as contas a pagar no curto prazo. O desempenho operacional melhorou, porém a pressão sobre o caixa continua sendo o principal ponto de atenção.

