Nunca duvide do Vitória no Barradão. Principalmente do Vitória de Jair Ventura. Não existe, em nenhum lugar do mundo, uma relação com tanta sinergia quanto a do Vitória com os seus torcedores.
Ela renasceu em um dos piores momentos da história do clube: Vitória 1 x 0 Floresta, pela Série C. De lá para cá, firmou-se um pacto sagrado entre torcedores e jogadores. Um acordo não escrito segundo o qual nenhuma das partes deve desistir, seja qual for o contexto.
Noventa minutos no Barradão não são muito tempo. Na verdade, não existe a dimensão do tempo no Barradão. Enquanto o Vitória não vencer o seu adversário, o tempo não passa. A atmosfera do Barradão é hostil para quem é de fora, mas maravilhosa para quem é Vitória.
O Vitória cozinhou o Athletico como se cozinha uma moqueca de sardinha: em fogo baixo, sem pressa e acrescentando os ingredientes aos poucos.
Não deu chance para que a ventania se transformasse em Furacão. Sofreu pouco, mas, quando foi ameaçado, Arcanjo salvou.
Aliás, não existe a expressão “Arcanjo em noite de Neuer”. Existe “Neuer em noite de Arcanjo”.
E Renê? Completou toda a saga do herói. No jogo de ida, perdeu, aos três minutos, um gol que poderia ter tornado a eliminatória muito mais fácil. Na volta, porém, mostrou todo o faro de um verdadeiro artilheiro.
Jair Ventura no Barradão é qualquer coisa, menos retranqueiro. Ele entende o Barradão como poucos. Parece ter sido formado ali.
As noites de Copa no Barradão têm sido mágicas. E que continuem assim.
Estão deixando a gente sonhar.

